Da compra de ferramentas

Por estes dias, em uma página do facebook que participo, perguntou-se se havia eficácia em adquirir itens como pós, poções, borrifadores, “feitiços prontos” e “rituais engarrafados”. É uma boa reflexão, que merece uma resposta apropriada.

Um dos maiores dons da bruxaria é a adaptabilidade: se observarmos as práticas folclóricas, a stregheria e as nossas benzedeiras, teremos verdadeiras aulas de magia simpática, onde o praticante se utiliza de diversos objetos cotidianos ritualizados para atingir seus objetivos.

  1. Uma das maiores críticas à aquisição de itens prontos é a ausência da intenção e elo com o usuário final. Se considerarmos que objetos “encantados”por terceiros não possuem a capacidade de afetar terceiros, relegaremos ao manto dos enganadores Agrippa, Crowley, Paracelso e outros tantos. Prefiro não o fazer por motivos óbvios. Então, considerarei como possível o efeito, ainda que limitado à competência do bruxo/mago original.
  2.  A maior parte de nós não possui tempo, conhecimento ou ferramental para criar todos os objetos que utilizamos em nossos ritos (não dispomos de forjas, ou sabemos soprar vidro, ou dispomos de parafina, etc.).
  3. Parece-me uma consequência direta dos pontos anteriores a necessidade da aquisição de objetos para os ritos desejados.
  4. Desta maneira, posições extremistas tanto para um lado quanto outro não me parecem adequadas à realidade da prática da Grande Arte. Nem nos tornaremos quackers para obter eficácia em nossos ritos, como certamente não devemos nos utilizar sempre de itens “prêt-à-porter”. O primeiro nos rouba de tempo para os rituais, elemento essencial para a assunção do fim desejado. O último nos rouba da capacidade de desenvolver criatividade, conexão e a capacidade de imbuir o objeto com sua vontade, roubando do bruxo de uma certa maneira toda a sua potencialidade.
  5. Entre dois ladrões, parece-me sensível desejar não ser roubado. Eis o porquê de não defender nenhum dos extremos.
  6. Uma vez que isto reste claro, ergue-se a pergunta de quando saber para que lado pender. E infelizmente, não há fórmula mágicka para isso (com trocadilho). A experiência há de falar.
  7. No entanto, alguns pontos servem de guia para a escolha: O quanto de confiança se deposita no artesão original; se ele vive do comércio ou se vive da arte; e por fim, se resultados tangíveis são obtidos (o método científico deve ser empregado, à semelhança do ditado “que o sucesso seja a sua prova”.)

 Entendo como possível a eficácia, embora limitada se comparada a instrumentos minimamente preparados pelos bruxos, que se beneficiarão de uma maior sincronia com o praticante, no pior dos mundos – e no melhor ainda o ensinará algo que ele jamais poderia aprender em livros ou lojas.

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Da serpente que expulsou o irlandês

missedone1[1]Dia 21 de março é uma data importante para a Tradição Caminheiros de Hybrazil. O Equinócio de Primavera é sempre um momento de planejamento para nós, quando paramos à beira do caminho para consultar as estrelas e as montanhas e ver se estamos na direção correta.

Então, vamos falar de orientação e o que acontece quando se perde a noção de quem somos ou onde estamos.

Tenho visto por anos a fio pagãos celebrando o dia de Patrício – essa piada pronta que só pode nascer da ignorância e aculturação tão cultivada por essas vítimas da Nova Era. Um Pagão comemorar essa data faz tanto sentido quanto um rabino comemorando o holocausto. É burro, é incoerente, é imbecil.

Não batemos palmas para nem celebramos nenhum perseguidor de Pagãos. Não precisamos de uma desculpa social para beber. Sim, gostamos de cerveja boa (não essa lavagem tingida de verde) e por mais que alguns de nós simpatizemos com os Irlandeses (ou japoneses, ou nórdicos, ou Sioux) não somos tão infelizes a ponto de fingirmos ser um estereótipo ruim de outra cultura por uma noite.

Também não somos idiotas para ver a cristandade se apropriar de OUTRA festa nossa a fim de esvaziar as celebrações de equinócio (Ostara, etc.) e acharmos bonito.

Sabemos muito bem quem e onde somos. E se você celebra o dia de Patrício, tenha certeza que não é um dos nossos.

Não me interessa se as cobras que ele expulsou eram Druidas ou não (a propósito, diz-se que as últimas cobras encontradas na Irlanda datam pré-era do gelo). Não me interessa se ele não foi o único responsável por cristianizar a Irlanda. Não me interessa se ele na verdade passou pela Irlanda a fim de expurgar heresias cristãs. Ele era um missionário cristão.

Tão ruim quanto perseguição física é o policiamento ideológico. Os dois são cabrestos colocados por anos a fio pela cristandade àqueles que ousaram pensar e crer de forma diferente. E celebrar um missionário cristão, sob qualquer que seja a desculpa, é algo que qualquer filho dos Deuses Antigos deveria ter vergonha em fazer.

Ainda:

  1. Ele nunca foi irlandês.
  2. A cor dele nunca foi verde.
  3. O trevo não é o símbolo da Irlanda. É o símbolo da “Santíssima” trindade cristã.

PS> Patrício, como missionário, também não devia aprovar excesso de bebida. Parabéns, tanto as serpentes quanto o missionário acham você um idiota por usar esse dia pra fingir-se de irlandês e ter uma desculpa pra encher a cara.

 

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Do lar e seus Deuses

“There is no place like home.”
― L. Frank Baum, The Wonderful Wizard of Oz

Sábios eram os Romanos e outros povos da antiguidade que reconheciam que cada lar abriga um Deus. infelizmente de lá pra cá, tanto se perdeu que frequentemente tenho a impressão que esquecemos muitas e muitas vezes o que pensamos que sabemos.

Sou obrigado a garantir aos mais inclinados à literalidade que o Deus de seu lar não irá, provavelmente, acabar com sua última cerveja ou deixar a louça suja na pia. Talvez, de vez em quando, derramar um copo se te esqueceres de oferecer tuas libações ou talvez deixar que pequenas desventuras te lembrem do seu desprazer (Lâmpadas se queimando em excesso e barulhos incovenientes são sempre um sinal).

Isso não quer dizer, no entanto, que ele (ou ela) será totalmente indiferente às realidades do seu lar. Os Deuses se envaidecem das obras de seus protegidos, e não é diferente com os Deuses lares: eles se orgulham de uma casa bem mantida, e em troca, ofertam sua proteção ao lar que também é deles.

Poss quase ouvir nos fundos da sala o muxoxo de bruxas enfeitiçadas pelo canto de sereia daquilo que chamam de feminismo hoje em dia, preparando=se para queimar os panos de pó e aspiradores (porque, convenhamos, uma bruxa queimar uma vassoura é um contrasenso), lembrando que Amélia já era. Pois então: Há uma diferença enorme em prestar-se a este papel para honrar um homem, um igual, e para honrar o lugar que habita.

Como filhos e filhas dos Deuses Antigos, não deveríamos defecar onde dormimos, ou estocar comida azeda, ou sequer deitar-se em meio à sujeira. Mas sempre há o cansaço, a tristeza e a falta de hábito. Estranhos são os companheiros com os quais nos cercamos, mas mais estranho ainda é aperceber-se disto e permanecer no erro.

Se o mundo é nosso altar, e tudo nos é sagrado, porque não nosso lar? É assim que tratamos nossos templos, então? Com que direito podemos reclamar das ovelhas conquistadoras que derrubaram nossos altares e calaram nossos sacerdotes se não nos levantamos nem para tirar o pó das estátuas…?

Honrem seu lar e seu Deus. Honrem seu abrigo e seu local de descanso. Honrem sua proteção, e serão protegidos em troca.

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Lista de discussão

Houve uma época em que as listas de discussão sobre paganismo e bruxaria pipocavam na internet. Grupos se formaram, amizades foram feitas e muito conhecimento e experiência foram trocados.

Com mais opções hoje (facebook, twitter,etc) em teoria isso deveria ser potencializado – mas não é o que vejo ocorrer.

Assim, parafraseando uma sacerdotisa amiga, lanço uma garrafa ao mar e vamos ver no que dá: Será que entre a meia dúzia que lê isto aqui ainda há o interesse em algo similar?

hybrazil[arroba]googlegroups.com

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Metus

There are two basic motivating forces: fear and love. When we are afraid, we pull back from life. When we are in love, we open to all that life has to offer with passion, excitement, and acceptance. We need to learn to love ourselves first, in all our glory and our imperfections. If we cannot love ourselves, we cannot fully open to our ability to love others or our potential to create. Evolution and all hopes for a better world rest in the fearlessness and open-hearted vision of people who embrace life.”
― John Lennon

Muitos são os motivos para temer os fatos que a vida despeja em nossos caminhos. A ansiedade, o medo, o pânico afligem os homens e mulheres em seus caminhos, e estes cada vez menos se encontram preparados para se encontrar com a progênie de Ares. Esses filhos tão temidos frequentemente se disfarçam de coisas belas: Um primeiro emprego, uma paixão ou a liberdade. Em alguns momentos, mostram uma face bem mais horrenda que a sua natureza: A perda de algo ou alguém querido ou o vazio que sentimos dentro de nós ao perceber as mentiras que contamos para nós mesmos.  Qual a sua verdadeira face?

Nelson Mandela uma vez disse que a coragem não é a ausência de medo, mas sim o triunfo sobre o medo.  Acredito que um homem que lutou contra a ignorância e a tirania de todo um governo é mais do que habilitado para falar do medo que sentiu – e em sua frase temos o segredo da nossa luta contra o medo: Não iremos aniquilá-lo, mas apenas triunfar sobre ele. E para triunfar, não é necessário conhecer sua verdadeira face, mas sim se manter longe de seus braços e pernas.

O triunfo pode se dar de várias maneiras: podemos vencer pelo cansaço, pela compaixão, por argúcia ou até por nos unirmos com o inimigo. No entanto, alguns pontos jamais mudam na estratégia de conter e vencer o medo:

1) Seja pequeno. Seus medos serão tão grandes quanto a importância que você dá àquilo que ACHA que você é.

2)Tenha fé. O Medo pode lançar dúvidas em sua mente, mas jamais poderá roubar sua fé de você – e a fé não conhece barreiras e é amiga da confiança e irmã da esperança. Em boa companhia, não importa o tamanho do medo.

3) Planeje.  Escreva sobre seu medo. Dê-lhe forma e aparência. Veja como ele caminha e em que direção caminha – e vá para o lado oposto!

4) Aceite que os Deuses tem um plano para tudo e para todos.  Se abrimos mão de nossas limitações e aceitamos o que  mundo nos impõe, veremos que o que deixamos para trás é muito pequeno perto do que o mundo e a estrada reservam para nós.

Então, vamos caminhar?

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Vontade

Na falta de Vontade, a mais completa coleção de virtudes e talentos de nada vale.

 - Aleister Crowley

O Caminho de dedicação não requer muito daquele que há se iniciar no culto dos Antigos Deuses. Não pede do Caminheiro conhecimentos obscuros da Babilônia ou que saiba as quarenta e duas negativas a serem enunciadas perante a balança de um certo Canis aureus. Não se pede, também, que possua dons mágickos transcedentes ou que seja herdeiro de uma longa tradição de magos atlantes. Não é isto que esperamos daquele que para perante os umbrais desta casa.

Esta casa não se porta como uma espécie de RH divino, analisando curricula dos que aqui batem, a julgar quem ou como devem melhor servir os Antigos Deuses. Somos, na melhor das hipóteses, arautos que buscam transmitir formas e valores em busca de se manter o culto dos Antigos Deuses vivo e vibrante.

No entanto, certas coisas são impossíveis de ignorar naqueles que entram. Enquanto alguns buscam o caminho antigo com a sofreguidão de um infante ao buscar o seio da mãe, outros parecem usar o oásis temporário como pousada, refrescando-se e descansando antes da próxima parada. A quem esta casa se destina? Costumo dizer que a maior prova do caminhar na senda da bruxaria e do culto aos Deuses Antigos são os resultados sobre a própria vida e seus caminhos.

Aos que tem coragem de buscar os caminhos de outrora, quase desaparecidos, esta casa se destina. Aos que possuem a humildade de despir-se de seus antigos caminhos e certezas para que possam vestir-se dos simples trapos que nos irmanam, possuem um lugar à nossa mesa. Aos que compadecem-se das injustiças e das dores e feridas do caminho e ousam olhar para o próximo com amor, estes trabalharão para fazer o bicho-homem algo digno de orgulho novamente. Aos que se portam com garbo e honra perante mercadores e falsos príncipes, chamarei de andarilhos.

A estes esta casa se destina. Àqueles que buscam reduzir este templo a camarilha de comadres e cursinho esotérico, que sejam servidos pelo mundo.

Para ser um caminheiro é preciso Vontade. É não se satisfazer com o que é pedido; é não ser passivo gestão da própria vida. É sorver, a goles largos e com tesão o cálice servido pela andarilha rubra antes que sejamos supreendidos pela sua alva irmã.

É nesta Vontade que esperamos que caminhem.

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Do agradecimento mais básico

Um hábito que busco repetir todas as manhãs ao acordar é agradecer aos Deuses Antigos pelo dom da vida, e me ser permitido mais um dia neste planeta. Para minha surpresa, através de uma mensagem de natal de um amigo, descobri que essa gratidão foi uma constante na vida do fundador do Aikido, arte que pratico há alguns anos e possuo grande admiração.

Um autor que fala muito bem dessa gratidão e seus desdobrares é John Stevens, em seu “A filosofia do Aikido“:

1- Gratidão para com o Universo;
Essa é a gratidão pelo dom da vida, um modo de ser muito precioso e difícil de se alcançar. De acordo com as crenças budistas, a possibilidade de uma alma que transmigra achar uma vida humana é a mesma de uma tartaruga cega no grande oceano, que vem à superfície uma vez a cada cem anos, enfiar sua cabeça num buraco de um tronco de madeira que esteja passando no momento em que ela vier à superfície do mar.
E, mesmo que os deuses tenham maiores chances, sua fácil existência coloca-os num estado de torpor, e somente os seres humanos podem torna-se Buda – precisa-se de um corpo para se sentir a dor de Samsara, praticar o Dharma e experimentar o Nirvana. A Gratidão por se estar vivo é supremamente importante, porque nos dá esperança. Como dizia o Mestre Ueshiba:
Santos e sábios sempre reverenciaram o que há de sagrado no céu, na terra, nas montanhas, rios, árvores e campos. Sempre existiu a consciência das grandes bençãos d natureza. Eles entenderam que é o propósito da vida tornar o mundo continuamente novo, fazer de cada dia um novo dia. Se você entende os princípios do Aikido você também agradecerá por estar vivo, e receberá cada dia como grande alegria.
 
Quando você reverencia o Universo, ele o reverencia de volta.
Quando você chama pelo nome de Deus, ele ecoa dentro de você.
(grifo meu)

 

Por isso o Caminheiro, antes de se preocupar em compreender a face visível do Universo, deve aprender a sentir gratidão pelos semelhantes através das sandálias da compaixão. Para que possa falar com a voz dos Deuses, deve saber escutar e compreender a própria voz.

 Um escritor índio Assinibon descreveu desta maneira o ritual de gratidão particular de seu avô:
Ele nunca deixou de agradecer de manhã cedo ao sol nascente.
Ele chamava o Sol de Olho do grande Espírito. Ao meio-dia, ele parava por alguns segundos para agradecer e ser abençoado. Quando o Sol se punha, ele o observava em reverência até ele desaparecer.

Tal rito, que guarda uma semelhança interessante  com o  Liber CC – Resh vel Helios thelêmico, e é também semelhante ao ritual que utilizamos durante o dia para saudar o portador da luz, permite ao Caminheiro comungar com uma fonte inesgotável de energia, além de ser um excelente auxílio no desenvolvimento da disciplina.

2 – Gratidão para com nossos ancestrais e predecessores;

 Isso significa ser grato para com as matriarcas e os patriarcas do nosso clã [família] particular, e para com todos os grandes líderes, professores, inovadores, artistas e exploradores que vieram antes de nós e criaram a cultura humana. Mesmo se nossos pais foram contra ou obstruírem nossos caminhos em nossa busca, ainda assim nós devemos agradecê-los pela dádiva do nosso corpo físico.

E isto também é a chama vermelha que habita cada altar de cada Caminheiro de Hy Brazil. Cada um de nós nasceu de um ato de amor, e só por isso devemos ser gratos aos que trilharam os caminhos antes de nós.

3 – Gratidão para com o próximo;

 Não podemos viver sem a ajuda de outras pessoas. Pessoas que constroem casas, cidades e estradas; pessoas que fazem as coisas funcionarem ; pessoas que cultivam e preparam a nossa comida; pessoas que pagam nossos salários; pessoas que amam, criam e nos apóiam ; pessoas com quem brincamos e treinamos. Mestre Ueshiba disse uma vez aos seus alunos:
Na verdade – eu não tenho alunos – vocês são meus amigos, e eu aprendo com vocês. Devido ao seu treinamento vigoroso, eu cheguei até onde me encontro hoje. Serei sempre grato pelos seus esforços e cooperação. Por definição, Aikido significa cooperar com todos, cooperando com os deuses e deusas de cada religião.

Para aqueles que caminham conosco, não é necessário entrar em detalhes sobre a frase de O-Sensei. Para aqueles que caminham o bom caminho, mas não caminham conosco, fala de fraternidade e humildade no caminho religioso, algo que grande parte dos Pagãos esquece.

4 – Gratidão para com as plantas e animais que sacrificam sua vidas por nós.
Nós existimos às custas de outros serem, no reino vegetal e animal, e devemos ser gratos por cada bocado de comida que comemos.
Em tempos passados, os índios norte-americanos caçadores nunca se esqueciam de agradecer aos animais que generosamente se deixavam matar.
Eles [os índios] se referiam às suas presas como ”amigos”, e se dirigiam a elas respeitosamente.

O preço da Vida é morte. Para sustentar cada chance, desperdiçada ou não, destruímos as possibilidades de uma planta ou animal. Por isso, a inação é o pior dos passos, e um imenso desrespeito para com aqueles que foram sacrificados por mais um dia.

Gratidão é um antídoto poderosos contra o ressentimento que sentimos em relação aos outros e pelo mau temperamento que possuímos por guardarmos rancor. (Buda definiu uma pessoa fraca como ”alguém que não é grato e que, em sua própria mente, não tem noção de tudo de bom que lhe é proporcionado”). Pessoas agradecidas evitam a autopiedade e relutam em reclamar sobre o tamanho de seu fardo na vida. Outro aspecto da gratidão é o respeito.

Em especial, gostaria de chamar a atenção para a força da gratidão contra o ciúme, a mesquinhez, a infantilidade tão comum em nossos dias, que acorrenta homens e mulheres maduras em corações adolescentes.

Você já agradeceu aos seus deuses por hoje?

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La Santissima Muerte

Acho bastante interessante como certas forças são imortais e conseguem vestir o manto que precisam para serem reconhecidas pelos homens. Segue abaixo um texto de Steven Bragg, postado originalmente no witchvox, que vale uma reflexão.

La Santisima Muerte: A Practitioner’s Overview

Author: Santa Muertero 
Posted: October 7th. 2012 
Times Viewed: 794 

La Flaka (the Skinny Lady) , La Huesuda (the Boney Lady) , La Niña (the Girl) , La Madrina (the Godmother) , Santa Muerte (“Saint” Death) …these are all names given to a very powerful and popular folk saint from Mexico, La Santisima Muerte (the Most Holy Death) . Santisima Muerte is a very complex figure, having taken on Her most recent manifestation through the same Catholic land that provided the world with what is believed to be the most widely venerated face of the Virgin Mary, Our Lady of Guadalupe. Although the Mexican Catholic priests and bishops denounce her as a figure of satanic worship, Santisima Muerte’s popularity over the last decade has exploded. From an estimated 500, 000 devotees a roughly ten years ago to possibly over 5 million today, it seems that Lady Death is wasting no time in making known Her presence and power among the living. Her devotion has now bled across Mexico’s borders into many other Latin American countries, as well as into the U.S. Many chapels and churches have been established in many places where Mexican immigrants have settled, but these visible establishments are in no way indicative of the number of private altars and shrines most keep in their homes, secretly in many cases.

So, what lies behind this exponential growth of an enigmatic, borderline occult figure, bearing the stark image of the European Grim Reaper, complete with skeleton, cloak, and scythe? What is the appeal of a constant reminder of our own mortality and inevitable death? Despite being labeled a “Narco Saint, ” whose tattoos give law enforcement officers reason to detain and discriminate, Santisima Muerte refuses to allow any establishment, including the Catholic Church, to slow the growth of Her devotion or sway the minds of those for whom She has performed miracles. In this article, I’d like to share my own personal beliefs about Santisima Muerte, stemming from the teaching I received from a person who lived in Mexico and studied under an Hechicero (sorcerer) , as well as my own experiences with La Milagrosa (the Miraculous One) . My hope is to provide those interested with a bit of information about Santisima Muerte and to help dispel much of the misinformation, causing La Santisima to be feared and demonized by Her many detractors.

For those seeking more information in the form of books and media, I recommend the following: La Santisima Muerte – A Mexican Folk Saint, by E. Bryant Holman; Devoted to Death – Santa Muerte, the Skeleton Saint, by Prof. R. Andrew Chestnut; and the 2008 DVD documentary, La Santa Muerte – Saint Death, directed by Eva Aridjis (with English subtitles) .

In the Beginning, God Created…

Exactly from where the current figure of La Santisima Muerte originated is very hard to say. There are theories that She is the revival of the pre-Hispanic Mexican goddess of death, Mitchecacihuatl, that She may be a re-invention of the female Grim Reaper from Spain, La Parca, that She was once a Mexican Catholic nun, and that She came from Italy with roots going all the way back to the Fates of ancient Greece. Regardless of all this, Santisima Muerte now presents Herself as the embodiment of Death itself, with power over life unrivaled by any other saint, spirit, or deity. However, there is one catch. She chose to manifest through a Catholic culture, and Catholic is how She sees Herself. The Catholic/Christian creation story has been tweaked to include Her, for as Adam and Eve ate of the forbidden fruit in the Garden of Eden, Death entered the world as an active force. Santisima also takes credit for being the Angel of Death who reaped the first-born sons of Egypt in the Book of Exodus. However, Her most proud moment was when God ordered Santisima to reap His only Son, Jesus, and therefore Good Friday is Her most holy feast day, a close second/third being All Saints Day/All Souls Day.

La Muerte has usurped the position of a few traditional Catholic figures, such as St. Michael the Archangel in standing and power. She is considered to be “second in command” after God, for whatever God creates, Santisima takes away. However, She hasn’t given the pink slip to the well-known warrior saint like She has to a few others, such as St. Jude. Although Santisima requires Her own space, She does allow two figures of Catholic Mexico to remain close to Her. St. Michael guards and protects Her altars, statues, and devotees from dark forces, while Guadalupe is said to be Her sister or Her “light half.”

Although Death is present the world over, and many religions and spiritual traditions have their own images and names for it, when calling upon Death as La Santisima Muerte, it is through the Catholic prayers, always asking God’s permission to invoke Her, that She works the best and responds to prayers. Removing her from this paradigm is something I strongly advise against. For those who are uncomfortable with the Catholic aspects, think of it as being respectful to a very powerful force. You don’t have to be Catholic yourself to pray to or work with Her, although the vast majority of Her devotees in Mexico consider themselves Catholics. I also advise against placing Santisima into the hierarchy of other spiritual systems, such as Neo-Pagan traditions and the Afro-Caribbean traditions, i.e. Santeria, Vodou, and Palo. She is a very proud spiritual being who enjoys Her own services and altar spaces, and no matter how much a person believes he or she knows about different spiritual systems and how they work, Santisima will always know more.

…A Holy Trinity…

Although I recognize that there are other ways of working with Santisima Muerte and see where many others in Mexico have her wearing many different colored robes, the way She came to me, and the way in which I was taught, was through a tri-colored system. For me, Santisima wears only three robes: white, red, and black. When She wears the white robe, She is La Blanca (the White) . She is called La Roja (the Red) while wearing her crimson cloak, and She is La Negra (the Black) when She wraps around Her the shadows of the night. Each cloak alters Her personality, and therefore, She is approached differently according to the color of Her robe. However, like Her masculine counterpart, the Father, Son, and Holy Spirit, Santisima is three persons in one, a feminine Holy Trinity.

La Blanca is the eldest and purest of the three. She sits at the right hand of God, and She is the one most devotees begin with. Peace, healing, cleansing and purifying are all within Her domain. Her highest blessing is the death of old age and a content heart. Her purity is such that it must be protected by covering Her statue when one has any major dealings with La Negra.

La Roja is the robe associated with worldly matters. Money, love, sex, the courts, business, and justice all fall within Her domain. She is a most accomplished love sorceress, and is famous for bringing back wandering lovers and husbands, especially when there are children involved. However, She is equally skilled at manipulating court systems in favor of Her devotees. The type of death La Roja is associated with tends to involve a bodily fluid the same color as Her robe.

La Negra, though, is the hottest and most dangerous robe of La Santisima. She can protect against the darkest forces, spirits, and witchcraft; even the demons of Hell fear Her. But just as She can protect against them, She can also send them. This is where we are reminded that Death stands outside of our human systems of ethics and morality. Although it’s believed that Santisima only reaps at the order of God, I sometimes wonder if La Negra may sometimes use Her feminine powers of persuasion to gain the consent of the Divine Almighty in certain cases involving the wishes of Her most devout devotees. Diseases are considered to be among La Negra’s children, and these are the majority of the deaths given over to Her.

It is within this complete system of La Blanca, La Roja, and La Negra that a spiritual worker dedicated to Santisima Muerte can petition La Muerte for any problem a person may have. The media-driven reputation She has for only being honored by drug dealers and criminals is but a fraction of the services She has to offer. The majority of Her devotees who know the three-colored path focus mainly on La Blanca and La Roja, leaving La Negra to the more experienced spiritual workers.

…To Help the People.

There are essentially two levels of dealing with La Huesuda. The first and most general is that of the devotee. Santisima will receive offerings and prayers from anyone. Using Her own system of justice, She will weigh each prayer in Her scales and decide for Herself if She will grant the request. For most people She will perform miracles for them from time to time, however She does expect life-long devotion after that. But Death gets everyone in the end, either way it goes, and it’s because of this that She does not discriminate and accepts everyone. Whereas the Catholic Church will turn its back on homosexuals, criminals, those on the fringes of society, La Madrina welcomes them all with open arms.

The other level is that of spiritual worker. In Mexico, there are three general areas of spiritual workers, but the lines between these blur quite a bit, so it’s difficult to categorize every individual and his or her practices. Curanderos (male) and curanderas (female) tend to focus on healing and doing what would be considered “right hand” spiritual work. Hechiceros (as) tend to draw more from Native practices and can, as they say, work with both hands. Brujos (as) are generally thought to be more adept with darker workings, those of the so-called left hand path. Any of these can and do incorporate Santisima Muerte into their workings, as She is thought to have knowledge of all magical and spiritual systems, though She tends to think more highly of some than of others.

Presently, there are many from outside of Mexico and its traditional systems who Santisima is calling upon to work with her. And rest assured, Santisima chooses the worker, not the other way around. A person can receive all the training associated with Her, but if She rejects the person there is nothing to be done about it. Among those She does choose I’ve noticed several similarities, such as an intimate knowledge of how to work with the dead and the dangers associated with venturing into her home, the cemetery. She very much loves and protects those within her home, and She appreciates it when Her workers honor their own ancestors. There also tends to be a working knowledge of a system similar to Afro-Caribbean spiritual practices, the hoodoo of the Southern U.S., and traditional folk magic in general. Also, She tends to work better and faster for those who treat Her like a Catholic saint and observe certain guidelines.

In the End, La Muerte

Far from being the satanic symbol of cartels and criminal activity, Santisima Muerte came into my life with a force so powerful and beautiful that it completely redefined my previous spiritual beliefs. Being touched by this Heavenly Power brings with it a new understanding of Death, its place within the cycle of Life, and renews the appreciation I have for each day I’m given. She is a mother, a sister, a protector, a healer, and so much more. Her devotion continues to grow every day, as She turns no one away.

She’s done so much for me in my life that, like many others, I’ve built a public shrine to Her outside my home where anyone can come to pray to Her and leave offerings. Those people She’s brought to me to learn about Her gather once a week to recite the Chaplet, pray to Her, and give Her offerings in my private indoor chapel.

Death, as La Santisima Muerte, is rising to a much higher place than it’s been in recent history. Why this is happening remains to be seen. Perhaps this is due to the current state of our Western societies. Perhaps it’s due to some larger phase in human existence for which we are on the threshold. Most likely, those of us alive today may not know until we are finally embraced by Her boney arms and given Her eternal kiss.

Copyright: Copyright Steven Bragg 2012

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Sobre religiões

Um dos quadrinhos mais lúcidos que já li. Recomendo a leitura.

How to suck at your religion 

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Grandes Mentiras de Hybrazil

Era uma vez dois bruxinhos
vivendo no faz de contas dos livrinhos
Seus nomes eram Morgana Kali Darkshadow e Lord Cernunnos Apolo
Só se vestiam de preto e camiseta de banda
Queriam viver em perfeito amor e confiança
Só não sabiam o que isso significava
Os evangélicos provocavam sua ira
Pois pelas sombras é que se liga
e pra fé ser boa tem que atacar a do outro
Mas como eram muito bruxos
Só sabiam feitiços que copiavam de livros
E só era bom de quem era famoso
Mesmo que tivesse antes falado de anjos
Ou nunca tivesse sido iniciado
Faziam coro ao que todo mundo sabia

Que a wicca é uma fé ancestral
que a putaria era sagrada
que venerar deusa malvada que era legal
e resolveram espalhar
As grandes mentiras de Hybrazil

A primeira era que a Deusa é amor e perdão
(peraí, é uma giza de saias?)
Que pra se organizar tinha que ter uma Igreja
em que só eles mandavam
(Peraí, onde foi que já vi isso?)
Diziam que todos eram irmãos
(Mas era só virar as costas que começava o disse me disse)
O pastor era errado e crente era tudo pato
(mas pra se iniciar tinha que pagar)
Na terra dos dois todos eram vegans e verdes
(mas usavam nylon e celular)
Davam share em imagens de bichinhos pra adotar
(Mas dois reais pra ração não podiam dar)
Continuava a lista das Grandes Mentiras de Hybrazil

Perdoar e ter valores é coisa de Cristão!
(Ué, eles patentearam?)
Cernunnos é Gay !
(Peraí irmão, você anda confundindo os chifres)
Sou tão importante que sofro ataque mágico!
(Será essa sua única atenção?)
Minha vó era Wicca!
(E lá vamos nós outra vez)

E assim ficaram os dois, repetindo tanto
até que virasse verdade
E ficassem grisalhos
E todos os outros repetissem sem pensar
Afinal, são elders

(são mormons?)

Sátira baseada na excelente música do Gabriel o Pensador, “Grandes mentiras do Brasil”.

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